Sunday, February 12, 2017

Ex


E do nada apareceu aquele ex
Me chamando de meu bem
Veja que insensatez

Me tratou como um cão maltês
Ou pior, um pequenez 
Fiquei numa viuvez 
Foi grande o estrago que fez

Meu bem!  Ora, meu bem! 
Pensa que esqueci o que me fez 
Pra ficar bem foi pra lá de mês
Vai acabar ouvindo desaforos 
em bom português

Ah, se ao menos tivesse sido uma só vez
Mas foi uma, foi duas, foi três
Veio de novo, a branca tez e aquela cara de burguês
Chegou e me chamou: De meu bem. 

Me olhou como antes, com cara de amante francês
Titubeei, mas segurei
Juntei meu cearencês e disse: 
Olhe, seu filho d'uma égua, é muita desfaçatez! 
Tome o rumo da sua venta e não me apareça,
 nunca mais,  outra  vez. 




Wednesday, February 8, 2017

Recém casados

Recém-casados, um apartamento de dois quartos para um casal. Parecia muito, a princípio, um privilégio. Não tinham filhos. Tem gente que mora em um quarto e sala com oito meninos. Dormem uns por cima dos outros, amontoados, redes por cima de redes. Eles tinham um escritório. Olha o luxo! E uma cozinha americana!

O problema é que para onde ela se virava, lá estava ele, um sorriso nos lábios e aquele olhar tranquilo. E tudo que ela pensava era: "Meu Deus, agora para onde eu me virar vou dar de cara com ele? Ganhei essa sombra! Aff!" Disfarçava, sorria de volta, um sorriso daqueles que não mostram os dentes, só empurram as bochechas para os lados. Até que acordou um dia e foi escovar os dentes, a pasta de dentes apertada no meio.  Deu um grito. Ele correu para a porta solícito. Era demais! O rosto queimando, berrou: "Olha, assim não dá! Eu preciso do meu espaço!" 

Saiu marchando, bateu a porta, andou uns 20 minutos em volta do quarteirão. Quando a respiração voltava ao normal, olhou as pantufas nos pés e resolveu voltar. Chamou o elevador, entrou devagar, enquanto os números iam aumentado ela pensava em como ia se explicar.