Friday, January 27, 2017

Once

I once dated a werewolf           

Eyes like flashlights          

showing the path

I once walked the path

I found lost words

I found lost pain


I once threw my car from a bridge

In the highest speed

When street lights seemed like flying arrows

and the water from the lake was a dark brick wall


I once threw stones at the windows of the moon

and sailed a boat of stardust in a lightless night

I crossed the borders in disguise

and spoke a million tongues

I now decided to forget


I once danced with a king

on top of the highest tower

No one ever saw the king

No one, but me


I once was a speck of dust

I once was a grain of sand

I was part of a hurricane

And I landed on another land


I once dreamt new dreams

and wrote them on napkins

I once wrote poems on spaceships

and lies on  pages of ancient books

no one ever read


I once took a look

I once took a pick

I once took a bite

It did not do the trick   


Thursday, January 26, 2017

Overwhelmed?

Would you help me if I stopped breathing? You don't care if I live or die, do you? Bring me water, Read me a story! Hire someone to help. Do you think she will die on the operating table? Have you thought of what to do? What will you say to the kids? Would you stay a little longer? Would you hold my hand? Who is the teacher? What are the strategies? Can I get a discount? Did you answer the messages? Did you pay the bills? Did you lock the doors, roll up the windows of the car parked outside? Did you think about that project? And 'bout the prospect of never really being what you intended to be? Did you think about that? Do you worry that more friends of yours may die? Are you afraid you won't be there? Do you text your friends in the morning to secretly check if they are alive? Are you afraid you won't hear her if she actually stops breathing in the middle of the night? Have you dried out? Will you have dementia? Will you know your name? Did you live a happy life? Why are you so afraid? Do you think you're  overweight? Do you think you're over it? Do you feel you're  overwhelmed? Do you think you're over? 

Tuesday, January 17, 2017

Meu conto de Natal

Horas no shopping na semana de Natal, detesto ir ao shopping na semana de Natal. Com um monte de sacolas, sentei no café enquanto meu marido foi enfrentar a imensa fila de cupons de troca de notas fiscais, mas antes,  me dei conta que não tinha nada para ler na bolsa. Sempre tenho, um livro, o Kindle, ou os dois. Resolvi comprar um livro, de  contos, porque não daria tempo de ler tanta coisa assim. Entrei na livraria, uma olhada rápida em algumas coletâneas e comprei. Simples assim, um livro novo porque não queria sentar em um café e suportar vinte minutos de tédio misturado com o cansaço da tarefa ingrata das compras junto aos que, eu e minha irmã, sempre chamávamos "os desesperados", essas pessoas que deixam as compras de Natal para a última hora. 

Sentei-me no Café, as sacolas em outra cadeira, pedi um chocolate quente daqueles que parecem um danete de tão grosso e um copo de água da casa, que a garçonete trouxe com a má vontade costumeira, comum a todos seus colegas desde que se implementou essa lei que obriga estabelecimentos a servir água potável gratuita no Distrito Federal. Trouxe a água, o chocolate e um biscoitinho, um wafer coberto de chocolate. Abri o livro e aos poucos fui sorvendo minha bebidinha, deixando para lá o stress, a lei da água potável e a garçonete. Fui entrando no livro, em outros mundos, outras vidas.

 Algumas páginas de leitura e me aparece um garoto dos seus dez anos, idade da minha filha, cabelo curto crespo, estranhamente amarelo, oxigenado, a pele marrom, uma camiseta maior que ele, velha e suja, o odor azedo de suor forte e antigo: "Tia, tem um trocado?" Surpreendeu-me aquele menino, naquele shopping, naquele café. Achei por bem falar com ele rápido, antes que alguém se desse conta e o expulsasse do Café. Não, eu não tinha um trocado, e ele, ou ela, porque bem poderia ser uma menina ao final, tinha me pegado de surpresa. Olhei para a mesa e ofereci rapidamente: "Não tenho trocado, mas tenho esse biscoito, quer?" "Quero!" Me deu um sorriso e me disse:"Obrigado, tia! Bom Natal!" "Para você também!", ainda respondi, e fiquei olhando aquela criança se afastar, maltrapilha, amarela e só, em meio a adultos cheios de sacolas e outras crianças gordas e rosadas. Não fiz mais nada, nada mesmo. Fiquei só ali, me sentindo longe e pequena, olhando a criança desaparecer na multidão. Fiquei ali, sentada, parada, e com uma imensa vontade de chorar.  


Monday, January 9, 2017

Conselho


Sê caos
Sê dúvida
Sê angústia
Sê confusão

Mas 
Sê amor
Sê maior
Sê inteira
Sê verdadeira







Restos de um dia

Calor o dia inteiro, sol de rachar mamona, amigos, piscina, cerveja. muito protetor solar nas crianças, talvez não o suficiente. Não parece haver suficiente protetor em um dia assim. Em mim, nada. Esqueci. Agora, as crianças ressacadas se arrumam para dormir. Hoje, uma espera a fada do dente, derruba o leite na mesa e enrola para comer. 

Vou tomar um banho, o corpo dolorido do dia, de ontem, porque hoje foi só sentar, ouvir, falar, beber, comer uma tonelada, enquanto ria do anedotário dos amigos e me preocupava com crianças que querem WhatsApp e com histórias de adultos se passando por crianças para atacar crianças pelo WhatsApp. Agora é o cheiro do dia de sol no corpo, o odor acre de suor velho.  Espero para tomar banho, crianças cheirando a lavanda enrolam para escovar os dentes e dormir, eu finjo não ver e vou tomar banho. As costas ardem acima da gola canoa do vestido leve, que,  mesmo leve, empapou de suor às três da tarde do horário de verão de Brasília. Sol mais baixo, quis vir embora. "Só mais uma! A saideira!" "É raro", pensei,  e fiquei, um pouco mais, só um pouco mais. Dorme agora. Amanhã talvez se arrependa do excesso. 

Crianças enrolam para ir dormir, um estranho silêncio por cinco minutos. Ligaram a TV. "Nada de TV! É hora de dormir."  Prometo que passo para dar um beijo, depois do banho. Enrolo para tomar banho. Uma vozinha cantarola uma canção inventada, um improviso. "Quando paramos de improvisar?" Penso, procuro na linha do tempo, busco alguma memória, mas  não encontro nada. "Quando foi a primeira vez que alguém me disse que não podia? Que não devia?  Que eu não sabia? Quando foi que eu não mais liguei para o que antes me disseram?" Também não sei. Agora discutem, de novo: "se eu pular do quinto andar, você vai pular também?" "Não, eu não sou você!" Até que a resposta é boa. Rio baixinho, mas não me meto. Deve ser o décimo micro debate do dia, encerrei minhas participações. Vou tomar banho.  Já já, vou.