Monday, November 28, 2016

Coisas que você perde


Você perde coisas pelo caminho
Perde um amor que era puro
Perde a juventude

Você perde um amigo em quem acreditava
Perde a fé
Perde uma parte de si mesmo

Perde contato com a realidade
Seus pés não tocam o chão
As mãos não alcançam os céus
Você não sabe o que fazer

Você não faz
Muito
Você fica ali parado
Você espera 
Pela esperança






Saturday, November 19, 2016

Tiana (En Español)

 Tiana salió de la escuela, cargada de cuadernos, 200 redacciones para corregir durante el fin de semana. Tiana hace maestria y queria enseñar a los alumnos a escribir otra cosa que no sea disertación. No puede! "Tiene que enseñar lo que és util!" respondió la directora. En la universidad le dijeron, una vez, que limpiara el baño que estaba muy sucio. "No trabajo aquí!" En el trabajo ya le pidieran café. "Queda allá en aquella mesa." Tiana da la espalda y no da tiempo para justificativas y disculpas. Ya sintió mucho dolor. No más! Ahora lo que siente es algo como un desprecio.

En casa, pide comida del restaurante de la esquina. Detesta cocinar! Entra en su cuarto colorido, paredes azules, mesa amarilla de frente para un ventanal, silla roja, y se sienta para corregir las 200 redacciones. Oye el croar de los sapos allá fuera. Tiana tiene mucho asco de sapo. Oye un jazz instrumental y comienza el trabajo. Media hora y se duerme encima del montón de textos iguales.

Despierta con el sol quemando el rostro. En cinco minutos toca el despertador. Tiene clase. Necesita correr. Sale con el pelo mojado. Entra en el ascensor, da buen día. "Tiene un ascensor de servicio, vió?" "Yo vivo aquí!" Da un paso adelante. Vuelca los ojos y se pega a la puerta. La puerta abre. Tiana sale primero. No mira para atrás. El sol golpea en el rostro, el viento sacude su cabello, Tiana vá.




Monday, November 7, 2016

Hoje você morreu

Hoje você morreu. Há mais de dez anos, você morreu. E, hoje, pensei em escrever em inglês, menos olhares complacentes, menos vozes me perguntando: "Ainda falando disso?" Às vezes fujo para o inglês. Hoje você morreu e levou com você quem eu era. Hoje eu sei que você não morreu só. Morreu a moça daquele tempo também. Ficou um espectro, um farrapinho, que teve que se plasmar em outro ser, outra pessoa.

Hoje você morreu e já faz tanto tempo! Mas todo ano, você morre mais uma vez e eu tenho que morrer de novo junto. E tenho que voltar dos escombros mais uma vez e recomeçar. E eu volto. Porque lá longe prometi que não iria e hoje não sou mais aquela que morreu. Uma vez por ano, morro de novo. E não tem jeito, não tem como. Olho o farrapo que fui, olho o estrago que se fez e sei que estou longe daquilo e sei que sobrevive-se a coisas inimagináveis, dores excruciantes, medos que escurecem o mundo. Sobrevive-se. E com sorte, ou com empenho, é possível construir outras obras, abrir novas estradas, acender outras luzes. 

Não sei o que seria daquela que hoje morreu com você, se você tivesse ficado. Aquela outra, não sei. Sei dessa aqui que afundou, que quase se afogou. Perambulou cega e só, muito tempo. E a culpa foi e não foi sua. E você morreu. Essa que ficou, hoje nada longas distâncias. Essa que ficou, sabe que se fica, mas se pode ir como um raio, ao atravessar a rua, ao dar o primeiro passo, ao piscar os olhos ou ao manter-se estática. Melhor caminhar. 

E eu caminho e quando olho para trás não tenho certeza ainda de o que vem a ser esse novo ser que sou eu. É recente. Esse novo ser tem pouco mais de dez anos e enterrou trinta e poucos anos no seu enterro, aquele ao qual não pode comparecer. Esse ser caminha e busca e ousa e carrega também uma dor maior que o mundo, mas não quer o compadecimento de ninguém. Não quer mensagens de otimismo, muito menos de esperança religiosa. Mergulhos rasos que não saem de si mesmos, arrogâncias de entender o que não se entende, nem se justifica.

Danem-se encontros e compensações futuras. Fiquem com eles e respeitem meus trinta anos enterrados e minha caminhada em busca de luz, minha ressurreição. Não há tempo para futuros longínquos. Não tenho tempo para suas ilusões calmantes, suas enervantes bondades. Fiquem com elas! Caminho para o que é feito de agora, para o que toca hoje, este minuto, e é isso o que pode ficar para o amanhã. O amor de hoje, a luz de hoje, o criar e cuidar de hoje. O resto está enterrado, o resto uma vez por ano retorna mais forte, mas o resto do resto é o meu caminhar.