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Showing posts from March, 2016

Moribundo

Morre nāo morre 
Pendura-se  Por fino fio Sustenta-se 
Sorve gotas de ternura
Alimenta-se  Da escassa matéria 
Dos sonhos

Mingua, Moribundo Arfa 
Suspira 
Segue
Resignado
Em direção à luz


Rio Valsa

Um rio separa,
Divide, 
O que é joveme o que é antigo O novo se vê no velho  E o que é novo envelhece a cada dia
Muda assim o novo  Mistura-se A esse antigo  Que se transforma  Um rio nunca é o mesmo rio
Os tristes sapatos permanecem  À beira do gélido rio Sapatos sem pés que os calcem  Nunca mais Corpos levados pelo rio
O rio não é mais o mesmo Não corre mais sangue  Nesse rio valsa Que separa e mescla  O que envelhece e rejuvenesce O que é brasa adormecida   E intensa chama Rodopia, valsa! Rodopia, rio! Rodopio eu
Um rio atravessa Corre  Sinto seu movimento, Sua correnteza Leva-me, hoje, Cinzento rio Em sua valsa azul 
Choro e sorrio Do que foi, Do que será Mas o que é, Apenas é, É um rio E todo o rio segue Urgente  Para o mar




Algo que sei da Ditadura

Ano passado, contei uma história do meu tempo de escola para minha filha, uma agressão sofrida por mim e cometida por um colega. Uma agressão que ninguém testemunhou. Ela logo me perguntou: - Por que não foi na Coordenadora?  Não soube responder imediatamente. Fiquei pensando... 
Na escola das minhas filhas, a coordenação é um espaço aberto, as crianças entram em grupos ou sozinhas, questionam injustiças, demandam soluções.  Entendi, ali, mais um pouco de como o período da ditadura, que eu vivi como criança  e adolescente, influenciou minha formação. A escola não era, na Ditadura, um lugar  para pensar, era um lugar para se informar, talvez, mas não para pensar. Não era um lugar para questionar. A Ditadura não permite questionamentos.
A Coordenação, no tempo da ditadura, não era um espaço acolhedor para os alunos. Era um espaço de punição. Você era mandado à coordenação se cometessse algum delito. Se o delito fosse muito grave, seus pais também eram chamados. Expliquei para minha filha …

Reflecting about truth

My mother had Alzheimer's. I took her to the Doctor in the beginning and due to quite a high number of threats from her sisters, my sisters and I had to agree not to tell her she had it. According to one of my mother's sisters she would either kill herself if she knew or she would perish twice as fast. It was a great responsibility to take a decision concerning other person's life and, afraid of having to deal with the consequences of an unsupported decision, I gave in reluctantly. I decided, however, that, although I would not tell her she suffered from the condition, if she asked me directly if she had Alzheimer's, I would then tell her. I was not going to lie to my mother about her own life. She never asked though and I never had to say anything. 

One day, when we could still maintain a conversation, I was talking to her and I told her that  if anything happened to me, if I ever got cancer or some other disease, I would like to be informed of everything, I would like…

Losing our parents

We are losing our parents
We are becoming orphans
Gray haired orphans Pretending to be strong As they once did
They are leaving us behind
One by one
They are betraying their promises They are abandoning us As they've never done before
We are alone In the dark, we find ourselves  And we want to call them out: "Stay a little longer!" "Hold my hand once more!" "Make the bad dreams go away!" 
We feel the lines crawling on our faces One for each disappointment, each frustration One for every loss, every dream that is no more They have carved sulks in our faces  They have changed our smiles
We let out a few tears When what we truly want is to scream
To despair, 
To fall apart
Yet, we don't
We won't We hold on

We are the parents of our children  We are the parents of our parents We are our parents
We pretend to be strong




The Mask

A mask
Everybody wears Now The mask is the face
Now  The mask is part of you The truth and the mask The lies and the mask 
Now
The mask is  you  Now  You are the mask