Monday, October 26, 2015

Sex, gender and the arrogant ignorance

She is a woman. She is against feminism. She is against any kind of service rendered specifically to women. She argues they are not necessary. She, of course, has never needed any of them. She believes education would end violence against women. She ignores the fact that many women suffer physical and psychological violence in their own homes, from their own highly educated, sometimes powerful partners. Women in third world countries, women in first world nations, hiding their black eyes under designer sunglasses. 

She is a woman. Protected and lucky, she goes around dictating rules for problems she has  never faced and problems she has decided to overlook. She has no power to change those rules and she is happy to receive the compliments she does from her protected and lucky friends, mostly male. She feels reassured of her wisdom with those compliments. She is so smart!

She mixes up concepts of gender and sex. She becomes annoyed that in a National exam, the Ministry of Education used a feminist basic text on one question. Yes, an old text, basic! Yes, one question! It upsets her! She affirms she is thankful that she is not influenced in any manner, whatsoever, by the thoughts of that particular woman. The thoughts concern the fact that a woman is not a given concept, but a construction. She says she even agrees that people can choose their sex, but she was born a woman and that will never change. 

She is a woman. Confused and scared behind the ignorant arrogance, she probably never read the feminist piece she is intending to deconstruct so misguidedly. She does not grasp the difference between sex and gender and she does not want to. She is happy with the compliments she receives, the ones she gets from her male friends who parade the same arrogant ignorance. The arrogance of those who do not need to read to know. 

She claims not to be influenced by the thoughts of the feminist thinker she demises, but she is the clear sad product of the patriarchal system she chooses to ignore. A sad product that chooses to unite with the winners hoping for a special deference. A nice pet, who bites its own sisters and receives the reward it deserves: "Good girl! Here, have a cookie!"

Friday, October 23, 2015

Soul Searchers, Deep Divers

Soul searchers
Deep divers
Walking the dungeons
of their dark past dreams
Weaving threads
of intricate thoughts
of frightening feelings

Looking for the flower within
Breathing in
The freshness of the garden
Breathing out

Burning the bridge
From where rests
the seven headed dragon
Its fiery breath
Its menacing eyes
Its darkness
Its desperation

Burning the bridges
Cutting the ropes
Setting feet
on the solidity of the mountain
Being there
Remaining

Breathing in
Diving in
Peaceful clear water
Breathing out
The blue sky

With the water
One
All is one
Soul
Searching

Breathing in
Breathing out
All one
In the space
Where we float
Where we search
Deep divers



Tuesday, October 13, 2015

White Flying Feather

Flying feather
Cuts across my drowsy driving. 
White flying feather 
Against Brasília's blue October sky
Disturbs the dryness 
Fights life's forceful  practical purposes

Flying feather
Deep cuts gray threads of dark thoughts
Carrying me to dreamy lands
Of subtle shades of brighter colors

White flying feather
Fierceful softness 
Delicate violence
Holds the answer 
to all the questions I'll never make 

Flying feather
Defies the inert existence
of concreteness
Fluctuating knife 
perforates the flesh 
 of  my contradictions 

White flying feather 
Floats across the windshield
Disappears in the cloudless vastitude
Takes with it the dreamy land 
Leaves me the leaping 
into the drowsiness 
of my own abyss


Sunday, October 11, 2015

A nice life

It is a nice life 
If you don't care to listen 
to the noisy silence of the soul
If you need not the contemplation
of the inner walls of your own heart
If you need not turn them inside out 
If you need not walk 
on the pathways of your veins
If you need not dive in the streams
of your own pulsating blood 





Friday, October 9, 2015

Tudo e Nada

É, me acostumei com o cheiro forte do verniz. O verniz seca, agora, a nadadora em giz pastel, antes que borre, que apague, que desapareça.  A gente se acostuma com tudo. Ainda mais quando é coisa assim, forte, que aumenta a permanência. Você cresce, envelhece, e nada é permanente. Nada! Quanto mais o tempo passa, mais tudo é nada, mais tudo é fluido e fugaz. E você desiste de domar a vida, e você aceita que não sabe tudo, que não sabe nada. E lê muito, e escreve tratados. E mergulha fundo, em tudo, e não sabe. Não sabe nada!

Você caminha, alternando o caminhar: passos firmes, decididos, olhar altivo; passos lentos, cabeça baixa, procurando, procurando, sem nunca encontrar. Tudo e nada! Tudo é tudo e nada! Leve como uma bigorna. É tudo o que é!  Sempre! Nada!

E assim você vai, mergulhando, fundo e longe. Vai em apneia! Vai até não aguentar mais. E sobe, de uma vez, à superfície, onde não se vê a margem, onde não dá pé. É lá que você para. Para e enche o pulmão de ar, de uma só vez. Porque é preciso! É preciso encher o pulmão de ar! E de uma vez!  Então exausta, sorrindo, você flutua e contempla o céu. Tudo e nada... É o que é.

Flutua e permanece ali, pesada como uma bolha de sabão. Voa mais longe, recostada em seu lençol de água. Linha fina, entre a densa e verde massa aquática e o infinito azul do céu. Azul, muito azul, do seco céu! Ele lhe contempla em retorno, deitada, inerte, exceto pelo movimento do ventre, que se estende e contrai, lento, o ar pelas narinas, o caminho natural da existência. O fino lençol lhe sustenta e você voa.Tapete mágico!

Você voa e esquece. Esquece tudo! O nada que pesa, o tudo que não há, o que é excesso, sobra, e o que falta. E sempre falta! Menos agora! Agora é a fina linha tênue e o equilibrar-se entre tudo e nada. Equilibrar-se, efêmero momento, entre a água e o céu. A terra lá embaixo, longe... Astronauta. Como astronauta, flutua.

Um movimento. Sempre há um movimento. É inesperado, é brusco! E você engole água, muita água, e engasga e tosse. Engole e tosse, tudo! E não há nada, nada que possa lhe salvar dessa água. Até que você se conforme e espere a água se acalmar. E você espera... E respira. E olha em torno. E resolve voltar, retornar.

Você retorna à margem e contempla água e céu. Da terra firme você contempla tudo o que não é de fato seu. Nem seu, nem de ninguém! Tudo o que é demais, tudo o que não controla, não domina. Contempla tudo aquilo que lhe chama sempre em tom ambíguo, que lhe convida, instiga, provoca. Contempla esse tudo e nada em que fundo mergulha. Esse tudo e nada, de onde nunca sabe se vai mesmo voltar.

Monday, October 5, 2015

One thing and another

Dark mane
The head lies
On the womb
There it rests

Fingers  run slowly through
The soft hair
Countless black threads
Other grey
Emerging
Here and there

Hands caressing
Dreams, Joy
Following
Day, night
Embracing
Fear and solitude

One thing and another
Hands, fingers, hair
One thing and another
Alone

One thing and another
Put together
One thing and another
Just one thing








Uma coisa e outra

Farta cabeleira negra,
Repousa a cabeça
Sobre o ventre
Descansa

Os dedos correm 
Lentos
Entre macios cabelos
Negros fios
Outros gris
Apontam
Aqui e ali

Mãos acarinham 
Sonho, alegria 
Acompanham 
O dia, a noite
Aconchegam 
Medo e solidão

Uma coisa e outra
Mãos, dedos, cabelos
Uma coisa e outra
Sós

Uma coisa e outra
Unem-se
Uma coisa e outra
Uma coisa só