Thursday, April 23, 2015

The Blue Man

Once upon a time there was a blue man. He was once a little kid, living a simple life in the country. A simple life which he remembered as the happiest time of his life, the only time he felt truly happy. This joyful little boy who would, one day, become the Blue Man, enjoyed running through the fields and looking at the stars.

One day, a very mean wizard cast a spell on the little boy's village. Everything that grew in the fields, once ripe, would disappear and reappear on the wizard's table, in the wizard's castle, north of the village.   Many who worked in the fields had to leave the village and find another place to work and live and so did the little boy's family. 

No one noticed, but it was right at that moment that the little boy began to turn blue. It started with his left thumb, its skin displayed a light blue shade. He thought he had hit something, a rock, a can, perhaps. But the blue shade remained. It was ok, easily hidden in his socks, though no one would really notice it. The little boy's parents had too much on their minds, they had no job, no home, and a bunch of other kids to care for. 

They moved to a place where everybody spoke a strange language the little boy could not understand and that made the little boy extremely lonely. There were gadgets and things in this new place the little boy had never seen and that made the little boy extremely afraid. 

People, in this new place, were very different from the inhabitants of the little boy's village, more flamboyant and loud, less stern, still strangely colder and dangerous.  He could easily pass by one of them, he thought, if he made an effort, but he felt unwelcome and to think of becoming one of them only made the little boy bluer. "They kind of looked like the Wizard", he pondered, "and so do I, if you think about it". That thought  only increased his blueness. Still, he made an effort to adjust. He had no choice. He was just a little boy. 

His family was a very hard working family as many families who ran from the Wizard were. They prospered and established themselves in the new place. So did the little boy's siblings who did not turn blue. They were either too old and certain of who they were, or where they were from, when they got there; or too young and just created new colorful selves in the new place which became their place, but not the little boy's. 

He never recovered from losing touch with the land which was his, which was him. He never completely accepted the language he learned to mimic so well. He kept going, though. He prospered along with the family, but moved away from them in search of greater advancements as it was common and expected of people in this no longer new land. He was not worried when he left. He had been mimicking for so long,  he could have sworn it was going to be all right.

Once he moved he kept trying to adjust, to fit in, until one day the blueness which had been crawling slowly through his body reached his neck. He began to feel nervous and anxious. He had been able to hide this for such a long time. It was all so slow and the blue so light, but if it reached his face it would become obvious. He withdrew. He hid from the world, he retreated to a cave. He forgot how to be happy, he forgot how to be sweet. He forgot the little boy. He became the Blue Man. 

Bipolar

Bipolar é meu coração
Um dia, dança
Na ponta dos pés
No outro, afunda
Mil metros

Sunday, April 19, 2015

What I hear as I walk / O que ouço enquanto ando (just a thought)

 I walk around hearing in my mind sentences which start with "Once upon a time".  

       Ando por aí ouvindo na minha cabeça frases que começam com "Era uma vez"


Wednesday, April 15, 2015

Glimpsed tenderness

Where does it go?
How does it come back?
Back we are 
to the game 

We hide 
and no one seeks
We hope 
if we hide well enough 
We'll forget 
we were ever there

Monday, April 13, 2015

Para meus amigos


Sempre que chove, penso em um amigo. Quando raspo uma lata de leite condensado, lembro-me de outro. Se recebo uma medalha, outro a recebe comigo. Camisetas de feira, alpargatas de lona, sorrisos tímidos lembram-me do único que me deixou tão cedo. Choro sempre sua ausência, sua perda. Celebro sempre sua presença!

Uma amiga já chorou comigo o choro mais sentido de todas as perdas. Outra já me fez rir no pior momento da minha vida, trazendo alguma luz à escuridão. Outra ainda, riu comigo o meu e o seu pesar. Caminhamos de mãos dadas, rindo do que mais ninguém conhece, do que mais ninguém entende, do que mais ninguém ri. 

Uma amiga fica braba e promete vingança se alguém me maltrata. Um amigo sonha comigo e me liga preocupado. Uma amiga é solar, ri com alegria e me faz mais leve. Um amigo pega no meu pé e inventa histórias para me enrolar, se divertir, me fazer rir.

Uma amiga está sempre ali.  Lembra de mim, reclama a minha ausência. Diz-me do meu valor, lembra da minha importância. Um amigo  diz que eu posso mais, que vou conseguir.  Empurra-me para frente e não duvida de mim. Uma amiga puxa a minha orelha e manda soltar o freio de mão.

Um amigo avisa que lê todos os meus rabiscos e enfatiza: "Todos!" Uma amiga manda em mensagens profundas reflexões sobre esses mesmos rabiscos. Uma amiga mora longe, mas levo no coração. Uma amiga me compra galochas londrinas, um amigo as traz para mim. Uma amiga está ali desde sempre e sabe, em rápido olhar, que chorei. Um amigo me vê e diz "estive pensando em você". Um amigo aguenta todos os meus maus dias e ainda sorri para mim. 

Pensando, hoje, nos meus amigos lembrei do que disse Vinícius: "Eu poderia suportar, não sem dor que morressem todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos." Vinícius parecia separar bem amigos e amores. Não sou assim. Para mim a coisa se complica. Alguns amores são sim amigos queridos e todos os meus amigos são meus mais profundos amores. 

 Assemelho-me  ao poetinha mais quando diz: "Se um deles morrer eu fico torto para um lado". Eu, já torta, aqui estou. "Se todos eles morrerem eu desabo!" Se todos morrerem não restará nada em mim. Sou um pouquinho do que me trazem, do que me dão, cada um deles. Decreto aqui, portanto, uma proibição: Que não se vá mais nenhum! Que fiquemos todos velhinhos e juntinhos. Que sejamos, se possível, "um só defunto", meus amigos, meus amores! 





Wednesday, April 8, 2015

Today

Let's compensate
sadness and frustration
with food
Let's have them melt
in a blue cheese tagliatelle

Let's have a drink
to wash away
the annoyance
the grievance

A glass of red wine 
In small sips
to remind us 
there is no need to hurry 
We are all moving 
towards the same end, anyway

Let's have dessert! 
A big slice of lemon pie
Let's remind ourselves
the bitter can highlight the sweet

Let's have the pie 
Big chunks of it, big bites
Lots of merengue on top 
will remind us
we should always
taste more of the sweet

Let's not give a fuck about
dieting, restrictions,
judgement, self control 
Let's indulge ourselves
Let's indulge

Let's have a cup of coffee 
Dark and strong,
No cream, no milk 
Let's wake up 
And never
fall asleep again

Let's skip the damn bill
And run away
from the restaurant 
Laughing 
Forever
Or just 
Today

Sempre a água

Como nadadora, tenho uma relação com a água que é quase romântica. Da beira da piscina, contemplo a vibração das ondinhas que se formam com o movimento dos outros corpos, ocupados em suas idas e vindas. Pequenas ondas cintilam na superfície, em inúmeros tons de azul e prata, ao toque do sol. 

Mergulho e ouço seus sons que reagem à minha chegada, imperceptíveis zunidos aos ouvidos de seres não aquáticos. Admiro sua explosão em pequenas bolhas quando meu braço a penetra em uma braçada de crawl. Pequenas bolhas que se aninham em volta do corpo, fazendo cócegas, envolvendo, acariciando. Observo os distorcidos reflexos, agora dourados, nos azuis azulejos que ondulam e mantém ritmada companhia. 

Sinto a textura da água, a flexibilidade, a força e o poder de seu volume. Adapta-se aos meus movimentos, recua e retorna, próxima, sempre próxima, uma segunda pele. Aceita meu corpo em seu meio. A água me recebe como um todo. A um só tempo é serena, imensa, poderosa.  

Ouço sua voz dizendo: "Calma! Respira! Prossegue!". Posso chegar à ela, desolada, sem força, sem ar, aos pedaços.  Ela  sempre me recebe, me conforta, me acarinha, me acolhe. Dela retorno inteira.