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Showing posts from April, 2014

Nothing

There is nothing to sayThat has not been said
There is nothing to feel
That has not been deeply
doubly, overtly felt

Spaces can't be crossed
Time can't be filled
And even the lies,
the customary lies that make all better,
cannot be told anymore.

Chinese man

She got up and went to get a cup of coffee. “Damned headache!” Acute and deep, precise, the day ruined. --As if a long, fine, pointy needle forced itself through my cranium, you know? A Chinese man with long mustache holding one point of the needle, manipulating it, pushing it very slowly. --Why Chinese? Seriously, she could not believe it! A headache from Hell, dripping sweat after the coffee and that was the question? --Why not? Is there a law against the Chinese? -I was just asking! --It’s my pain, isn’t it? If it’s Chinese, Japanese, Arabic, what is the difference? --Forget it!    She regretted the rude reply, but did not apologize! Apologizing would require time, explanations, facing the Chinese man, pulling him by the mustache, immobilizing him. She went into the room, closed the curtains, and laid down. She heard the door being slammed. “He is gone!” She thought of how much that answer was going to cost her in accusations of rudeness, selfishness, lack of caring. She knew it would be…

Em casa

Em casa não caibo Apertam-me  as necessidades as listas de compras a falta do sal O pão que acabou
Em casa não caibo São muitas perguntas Não tenho respostas Me falta o silêncio
Em casa não caibo Empilham-se louças, roupas sujas,  cobranças
Livros não abertos Textos não escritos Compromissos atrasados Entulham a casa 
E nela, não caibo
Pelas janelas transbordam  Os desejos Derramam  por baixo das portas os sonhos de conquistar Escorrem pelas escadas quem quis  e não há como ser

Sem graça

Perdi a graça com você
O céu é azul,  mas o ar rasga as narinas,  Fere,  Sangra. 
O espaço é amplo,  Mas as distâncias bloqueadas,  Os trajetos sofridos, Impedidos.
Perdi a graça com você Que não acolhe, é sempre igual, Que não varia.
Repete funções,  Pensamentos,  Personagens Perdi a graça com você.
Onde vêem beleza, Vejo decadência,  Atraso,  Decrepitude precoce. Falta-lhe oxigênio.
Perdi a graça com você Com tanta luz, Não ilumina,  Não colore. Seca,  Dura,  Gris.
Não quero papo com você Quero umidade, Água, Fertilidade De ideias,  De sonhos. 
Fique você aí,  Com seu concreto,  Seus quadrados,  Suas gravatas,  Seus planos e metas Não fale comigo,  não me convide, Estou de mal.