Friday, April 25, 2014

Nothing

There is nothing to say
That has not been said
There is nothing to feel
That has not been deeply
doubly, overtly felt

Spaces can't be crossed
Time can't be filled
And even the lies,
the customary lies that make all better,
cannot be told anymore.

Wednesday, April 23, 2014

Chinese man

 She got up and went to get a cup of coffee. “Damned headache!” Acute and deep, precise, the day ruined.
-      - As if a long, fine, pointy needle forced itself through my cranium, you know? A Chinese man with long mustache holding one point of the needle, manipulating it, pushing it very slowly.
-      - Why Chinese?
Seriously, she could not believe it! A headache from Hell, dripping sweat after the coffee and that was the question?
-      - Why not? Is there a law against the Chinese?
-      I was just asking!
-      - It’s my pain, isn’t it? If it’s Chinese, Japanese, Arabic, what is the difference?
-      - Forget it!
   She regretted the rude reply, but did not apologize! Apologizing would require time, explanations, facing the Chinese man, pulling him by the mustache, immobilizing him. She went into the room, closed the curtains, and laid down. She heard the door being slammed. “He is gone!” She thought of how much that answer was going to cost her in accusations of rudeness, selfishness, lack of caring. She knew it would be useless, but she would try to explain:
- It was the Chinese man!





Em casa

Em casa não caibo
Apertam-me 
as necessidades
as listas de compras
a falta do sal
O pão que acabou

Em casa não caibo
São muitas perguntas
Não tenho respostas
Me falta o silêncio

Em casa não caibo
Empilham-se louças,
roupas sujas, 
cobranças

Livros não abertos
Textos não escritos
Compromissos atrasados
Entulham a casa 
E nela, não caibo

Pelas janelas transbordam 
Os desejos
Derramam 
por baixo das portas
os sonhos de conquistar
Escorrem pelas escadas
quem quis 
e não há como ser

Tuesday, April 22, 2014

Sem graça

Perdi a graça com você
O céu é azul, 
mas o ar rasga as narinas, 
Fere, 
Sangra. 

O espaço é amplo, 
Mas as distâncias bloqueadas, 
Os trajetos sofridos,
Impedidos.

Perdi a graça com você
Que não acolhe,
é sempre igual,
Que não varia.

Repete funções, 
Pensamentos, 
Personagens
Perdi a graça com você.

Onde vêem beleza,
Vejo decadência, 
Atraso, 
Decrepitude precoce.
Falta-lhe oxigênio.

Perdi a graça com você
Com tanta luz,
Não ilumina, 
Não colore.
Seca, 
Dura, 
Gris.

Não quero papo com você
Quero umidade,
Água,
Fertilidade
De ideias, 
De sonhos. 

Fique você aí, 
Com seu concreto, 
Seus quadrados, 
Suas gravatas, 
Seus planos e metas
Não fale comigo, 
não me convide,
Estou de mal.