Monday, September 30, 2013

From one point of a star to another

Kafka's process in my mind,
The writing of the stupid report,
The counterproductive proof of production.

The businessman in the fourth little planet,
The pseudo intelectual bureaucrat stamping his stamp,
Will he sit on top of the pile of paper he demanded?
Will he smile his petty smirk contemplating his migger power?

Me,
Late at night,
Duty performed, quite unwillingly,
I Search for light,
The moon,
The dream,
Skipping from one point of a star to another.



De ponta em ponta de estrela

O Processo de Kafka na cabeça,
A escrita do relatório imbecil,
A contraproducente prova da produção.

O homem de negócios em seu quarto planeta
O burocrata intelectualóide batendo o carimbo,
Sentará nas pilhas de papéis?
Sorrirá a tacanha alegria do seu mesquinho poder?

Eu,
Madrugada,
Cumprido o dever a contragosto,
Busco a luz,
A lua,
O sonho,
Saltando de ponta em ponta de estrela.




Monday, September 23, 2013

A Curva

Uma vez caíra naquela curva. Andava de mobilete. Os garotos da escola mexeram nela, tiraram o cachimbo e o combustível não passava. Tentou ligar a motinho umas tantas vezes, consciente de ter havido algum tipo de sabotagem. Muito irritada, manteve a calma, quando o garoto se aproximou para ajudar e apontou, em cinco segundos, o defeito. Agradeceu para se ver livre e foi embora. "Paquera mais idiota!" Continuou o passeio vespertino, bons tempos de colégio, o vento no rosto, as obrigações adiadas, o jantar na mesa, todo o tempo do mundo... A mobilete, falhando de vez em quando, tinha que frear e manter a aceleração ao mesmo tempo. Numa dessas, na curva, derrapou! Mobilete deslizou para um lado e ela para o outro em um eixo de 45 graus. Levantou-se, suja da terra vermelha de Brasília, ralada, machucada, pegou a mobilete e conduziu-a andando, capengando, até a última casa da rua.

Já não era mais uma menina, tinha suas responsabilidades, trabalho, contas, problemas... Desceu a longa ladeira que levava à curva. Dirigia, não mais a mobilete, mas o carro conquistado no primeiro emprego. Uma tarde silenciosa, seguia tranquilamente, o único carro na rua.  O calor a incomodava, os vidros totalmente abertos, a tarde iluminada, nenhum movimento nas árvores que margeavam a pista. Iniciou a curva e foi quando viu, caídos, três corpos, um homem, uma mulher e uma menina, todos negros. Os cabelos fartos, escuros e crespos salpicados de barro. As roupas, claras e simples,  sujas com a terra vermelha: os vestidos da mulher e da menina, branco algodão estampado de pequenas florezinhas vermelhas; o homem, calças caqui, arregaçadas como as de um pescador, a camisa branca, dobradas as mangas, . Calçavam alpargatas de couro. Passou devagar por eles, ali caídos, inertes.Não havia sangue, mas a imobilidade dispensava maiores reflexões. Em uma dessas reações que não se explica, continuou dirigindo. Passou da curva, entrou na ruazinha imediatamente à esquerda.

Deu-se conta do estranho silêncio, da falta de movimento. Conforme descia a rua, maior a estranheza, mudo, tudo mudo, nem mesmo o canto dos pássaros.  O ar parado, abafado, aumentava a luz e o calor. Todas as janelas de cada uma das brancas casas estavam abertas. Alvas cortinas esvoaçavam através delas. Continuou descendo, a respiração suspensa. Chegou finalmente à casa do fim da rua. Ali também,  as cortinas  esvoaçavam no balanço do ausente vento. Virou à direita para entrar na garagem, o portão já estava aberto. Na pequena rampa de entrada, os três mesmos corpos negros, os mesmos leves vestidos sujos, as mesmas calças caquis, as mesmas alpargatas. Lá estavam, caídos, juntos,  na mesma posição.

Friday, September 13, 2013

On Beauty and Falling Leaves

She got in the cab. A large gray bearded driver asked for the destination. She gave him the address. A small University town. There was no need for detailed directions. They started the ride. The whole way he complained. About the traffic: “Should have taken the other way! Too many students in this area!” “Oh, yeah!” she laughed to herself. “So much traffic it might take us five extra minutes!”  "What is she doing? Some people should not be allowed to drive! Get out of the way, lady!”

She looked through the window.  Shades of yellow, orange, ocher, red. It was just as if some magical creature had come into the night and painted all the trees in the most beautiful and unexpected hues. From where she came from, there was no Fall. At least, not like this. Leaves would dry up and fall from the trees occasionaly. Each species at their own time, throughout the year. They would also bloom at their own discretion, not all at once. There was no collective spectacle. The driver continued groaning. She tried to call his attention to the beauty outside the window. He pretended not to hear her. “How can someone not see this? How can a person choose such grumpiness over  beauty?”

She refused to listen to him anymore, his voice began to sound like a distant mumble while she lost herself in the colors of the trees, listening only to the sound of the tires crushing the leaves that had already fallen on the road. She paid close attention to each single leaf and all of them together at once. In a few weeks all of these would probably be gone. She had no idea when she’d be seeing such a scenary again in her life.

The cab parked in the driveway. She payed the man, even tipped him. He gave her his phone number in a piece of paper. "Call me, if you need a ride again." She took the piece of paper and wished him a good evening. She walked towards her front door, large decided steps. She held her head up high, the coolness of the wind on her face. While walking, she felt her hand turning the piece of paper into a very tiny ball. Inside, she laid her books on the kitchen counter, opened the fridge, picked up a bottle of wine, a glass from the cabinet and, Let her body slowly sink in the rented armchair strategically positioned by the window.

Photo credits: Bruno Sandes - 2013

Monday, September 9, 2013

Um dia

O pão.
A Rotina.
O choro matinal.
O café.

A filha.
O dever.
A conquista.
O sorriso que alivia.

A pressa.
A rotina.
A pressão.
A panela.

Os livros.
O peso.
O atraso.
O trânsito

O stress.
O desgaste.
O pesar.
O onde está?

O carinho.
O abraço.
O sorriso.
O caminho.

O olhar.
O afeto.
O redescobrir.
O estar aí.


Monday, September 2, 2013

Para Herbert Vianna

Quero ser Herbert Vianna,
seguir chamando,
conhecer seus passos,
ter seu exército invadindo meu país,
ver você e ver na escuridão,
pagar as contas desse amor pagão.

Quero ser Herbert Vianna,
me virar do avesso,
me perder entre as estrelas,
jogar tanta coisa fora,
ter a lua,
te dar a lua.

Quero ser Herbert Vianna,
saber que meu inferno é o céu,
que a vida nem sempre é boa,
que tenho um cagaço de descer ladeira abaixo,
que eu tô mesmo é na lanterna dos afogados.
Quero te odiar uns dias,
quero querer te matar,

Quero ser Herbert Vianna,
ver a luz no túnel dos desesperados,
derramar lágrimas por ninguém,
jogar uma vaca do décimo andar,
andar num mach cinco cor de prata
em alta velocidade.

Quero ser Herbert Vianna,
saber que a dor pode mostrar algo de bom
que vai ser diferente,
que vai valer então.
Às cinco ver aquela estrelinha
e encontrar a palavra certa
que faça o mundo andar.



http://www.youtube.com/watch?v=NQznqQAYwBE