Sunday, December 29, 2013

Maior

Pequenezas
Egoísmos
Mesquinharias
Trocas interesseiras
Conversas superficiais 
Elogios insinceros
Falsas concordâncias 
Buscando vantagens futuras 

Sorrisos amarelos
Acolhimento enganoso
Solidariedade ilusória
Solidão acompanhada
Comunidade canibal

Egos inflados a Hélio
Flutuam
Mãos dadas
Alfinetes escondidos às costas
Permanentemente atentos
Aguardando sempre
O momento de espetar

Atravessar 
Entre rosas e espinhos
Entre o joio e o trigo
Entre pérolas e porcos

Escapar do veneno
Do vidro moído
Da punhalada nas costas
Perseverar

Buscar a beleza
No lixo das ninharias
Manter o que é puro
Continuar

Caminhar sempre
E não esquecer
Jamais esquecer
Que o mundo é maior. 






Monday, December 16, 2013

Chocolate

A little girl silently reaches for a cristal bowl full of chocolate. Anticipating its texture and taste, she had tiptoed quietly through the furniture and there she was. She had to stand on her toes and stretch her body upwards. Her little hands made two attempts. The first just brushed the candy lightly. 

On the second, she managed to grab the edge of the bowl which turned slowly, falling from the table. The noise, chocolate and glass scattered all over the floor. The heads turning on her direction, the momentaneous deep silence, the reproaching severe looks, the embarrassment; the thin, yet persistent, stream of blood running on her foot, the loud cry that followed. 

As a grown up she would remember that failure every time she had to try something new. No matter how sweet the conquest might seem, there was always the fear of getting hurt, getting cut, but there was mostly the fear of how she'd be looked at. 

Wednesday, November 27, 2013

Furacão

Uma vez, sonhei que morria. Uma convulsão, a reprise de outra situação. Dessa vez, não conseguia voltar, me chamavam, como antes havia acontecido, mas eu não conseguia abrir os olhos.  Demorei a acordar e acreditar que não estava morta. Também não estava no hospital. Não havia tubos, aparelhos, máscaras de oxigênio, catéter, sonda... Chorei em silêncio. 

Schopenhauer disse que vivemos com leveza porque escalamos uma montanha sem saber o que encontraremos do outro lado, mas se enfrentarmos a morte e escaparmos dela, jamais subiremos a montanha do mesmo jeito. Lembro isso, não para causar pena, para que me olhem com os grandes olhos da piedade. Lembro porque é isso mesmo. Não se sobe a montanha da mesma maneira.

Houve um tempo que não queria mesmo subir para lugar algum. Na verdade, se pudesse teria rolado montanha abaixo, mas não rolei. Havia a promessa: "Não vou deixar você só! Não se preocupe!" Acho que foi a promessa, mas não gosto de atribuir tanta nobreza ao meu ser. Houve um tempo em que pensei: "Maldita promessa! Não há porque continuar!" Permaneci então sentada na montanha, parada, encolhida. Hoje penso na montanha. A grandiosa montanha não tinha mesmo, àquela época, a menor graça.

Outra imagem constante era a de um furacão. Passei muito tempo no olho do furacão, vendo tudo pelos ares, estilhaçando-se, sentindo-me também arrebentar, partir em pedacinhos. Tragada pelo furacão, tudo rodava, cacos e destroços rodavam; eu,  aos pedaços, rodava.

Fui juntando os pedacinhos, mas o furacão continuava. A diferença é que, depois de um tempo, galguei suas tão reais imaginárias paredes e fiquei ali, mal remendada, sentada na borda, vendo os destroços a girar e girar. Assim permaneci. Entendo os que tiveram dificuldades de olhar para aquele furacão, mas não aqueles que fugiram. Desses, já tive muita mágoa. Hoje tenho muita pena. Admiro imensamente, no entanto, os que ficaram por perto e esses seguem comigo. 

O que pude, recuperei, colei, remontei. O que não tinha mais jeito, aos poucos, fui deixando seguir no furacão. Criei outras novas estruturas, diferentes, outros sonhos, outros ideais. Quem não estava lá, quem depois não me buscou, não sabe quem eu sou, não me conhece mais.

Ouvi inúmeras coisas, muitos absurdos, que a tragédia me faria melhor; que Deus tinha um propósito, que eu o veria lá na frente; que eu aprenderia com isso e poderia servir de instrumento na vida dos outros; comentários ingênuos, bem intencionados, mas também cruéis. Sempre tive vontade de perguntar a essas pessoas tão pias por que não pediam todos os dias por algo semelhante na vida delas. Tão bom ser instrumento, não? Outras criaturas contavam casos semelhantes, suas próprias vivências, terminando a conversa da seguinte maneira: - Mas Deus foi bom pra mim! 

Uma vez, uma moça me disse, condoída: “Poxa, como isso foi acontecer...” E depois de um tempo em silêncio: “Mas vocês são tão legais...” Ela ficou em silêncio, procurando, buscando o que poderia ter de errado, ou de ruim,  comigo, com meu marido, para que uma tragédia daquelas tivesse acontecido. Na sua lógica, estávamos sendo punidos por algo e, por isso, Deus não tinha sido bom para nós. Hoje tenho mais paciência com essas conversas e pessoas, sei que a intenção, irrefletida, pode ser boa, mas isso é, certamente,  por que não estou mais no olho do furacão. Só por isso!

Lembro que algo que de fato me ajudou foi uma frase em um livro budista que dizia simplesmente: "O sofrimento faz parte da vida." Acredito realmente que aprendi algumas coisas, mas não sou agradecida à tragédia que me sucedeu. Poderia tranquilamente viver sem todo esse aprendizado, em uma feliz ignorância. Egoisticamente, não me incomodaria de tê-lo visto dividido com umas vinte outras pessoas, para que minha dose fosse menor. Poderia, perfeitamente, continuar acreditando na enormidade dos pequenos problemas. No entanto, não me foi dada essa alternativa.

Entendi minhas opções, então, da seguinte maneira, sem nenhuma transcendência, ou beleza espiritual, na dor. Uma vez no fundo do poço, na merda, a pessoa tem duas possibilidades: Ou se ergue, e sai de lá, ou chafurda na bosta para todo o sempre, amém! Com imensa dificuldade e grande esforço, apoiada por quem me ama, apesar de tudo, e me agarrando a recursos antigos e novos, fui saindo, fui me erguendo e fui vivendo; buscando vida, luz, beleza, alegria. 

Hoje, contemplo meu furacão à distância, observo o seu movimento, a sua sombra. Esquecer a sombra, significaria fechar os olhos aos que sofrem todos os dias, aos que partem, aos que ficam e choram. Não desejo isso para mim! Também não quero para os outros o sofrimento na solidão. Não há maior escuridão do que sofrer na solidão.

Friday, November 22, 2013

No Azul II - variações sobre um mesmo tema

O zunido do impulso na água, 
as bolhas que se formam, 
com as braçadas,
acompanhando os contornos 
do corpo, 
explodindo em mil pequenos 
borbulhantes sons, 
delicadamente interrompendo
a quietude, o silêncio. 

O corpo alongado
alcançando o infinito, 
O azul que envolve o corpo, 
envolve a alma, 
sutilmente invade, 
gentilmente acolhe.

A água, 
que cura,
que acalma.
De onde viemos, 
Para a qual voltamos.
Nada mais importa, 
a não ser a água.
Nada é maior do que a água.

Thursday, November 14, 2013

Para meu amigo

Querido amigo, espero que saiba que é amado, que sinto sua falta. Espero que não sinta dor e que não tenha medo. Espero que possa perdoar minha ausência e minha incompetência, minha inabilidade de encontrá-lo a tempo. 

Saiba que o perdoei por perder a fita pirata da banda que nem existe mais.  Gostaria que pudéssemos, para sempre, falar dessa fita. Gostaria que continuássemos a partilhar nossos sonhos, a tomar uma cervejinha, a dançar e a contar piadas.

Meu querido amigo, gostaria de ter sabido, de ter estado mais perto. Gostaria de ter lhe apoiado e de que ainda houvesse tempo para ganhar a confiança da sua família, dos seus filhos. Gostaria que me chamassem de tia e que eu os ajudasse a crescer. Gostaria que conhecesse minhas filhas e que risse com elas. Sei que o faria!

Gostaria que tivéssemos nos encontrado novamente e falado sobre a vida, sobre o quanto crescemos e como tudo acabou sendo tão diferente. Gostaria que tivéssemos rido disso e que tivéssemos percebido que estávamos bem, que estava tudo bem.

Mas é tarde, meu amigo. É tarde e eu me sinto impotente. Não posso vê-lo, não posso resgatá-lo, não posso salvá-lo, nem posso fazê-lo rir. Posso apenas esperar, meu querido amigo, que você saiba que é amado. Posso apenas implorar, a todas as forças, que você possa seguir em paz. Adeus, meu amigo!   

Wednesday, November 13, 2013

To my friend

Dear friend, I hope you know you're loved. Hope you know you're missed. Hope you're not in pain and you're not afraid. Hope you can forgive my absence and my incompetence, my inability to find you in time. 

Know that I forgave you for having lost  the demo tape of that band that doesn't exist  anymore. I wish we could keep forever talking about that tape.  I wish we could keep on sharing dreams, and having drinks, and dancing, and telling jokes.

My dear friend, I wish I had known. I wish I'd been closer. I wish I had been there for you and that there was still time to earn the confidence of your family, of your kids. I wish they'd call me auntie and that I could help them grow. I wish you could meet my kids and laugh with them. I know you would.

I wish we could have met again and talked about life, about how grown up we are now and how different everything turned out to be. I wish we could have laughed and just known we were all right. 

But it's late, my friend. It's late and I feel impotent. I cannot see you, I cannot rescue you, I cannot save you and I cannot make you laugh. I can just hope, my dear friend, that you know you're loved and I can only beg to all forces that you can go in peace. Goodbye, my friend! 

Monday, November 4, 2013

Certos dias


Tem dias que, para sentir-se vivo, é preciso saltar de paraquedas, correr uma maratona, atravessar o canal da Mancha a nado, escalar uma montanha. Tem dias que, para sentir-se vivo, não é possível apenas acordar, tomar café, ler, pensar. É preciso ir ao Japão, à Índia, à Indonésia, sozinho! É preciso perder-se nas ruas, ouvir a língua estranha. É preciso não entender. Sentir-se pequeno, insignificante, em um templo gigantesco. É preciso quase sumir. É preciso não saber se vai voltar.

Em alguns dias, a claridade do sol, a pequenez do dia a dia, não traz vida, não é suficiente. Tem dias que nenhum sorriso, nenhuma palavra, nenhuma cor apaga a mácula da dor, da perda, da separação. Não há distração suficiente, não há projeto que faça sentido, não há empenho que, nesses dias, valha a pena. Toma-se conta dos projetos, empenha-se, mesmo assim. Investem-se energias, cumprem-se obrigações, doam-se carinhos, buscam-se forças, mesmo assim.

Há dias em que é preciso, no entanto, na impossibilidade da grandiosidade, conformar-se. Aceitar o vazio, a dor, e deixar o tempo passar. Na impossibilidade de sentar à beira mar, de contemplar as ondas, a cor das águas e do céu, deve-se contemplar o existente, deve-se aceitar o som das cigarras, mesmo que irritante, mesmo que ensurdecedor. Na impossibilidade de não proferir palavra até o anoitecer, deve-se dar bom dia, deve-se tratar com afeto os estranhos. Deve-se aceitar sorrisos, carinhos, afagos. Deve-se ignorar a indiferença, relevar as ignorâncias. Porque não serão assim todos os dias. 


Tuesday, October 29, 2013

They found light

When there was shadow,
He was there.
When there was blood,
and death,
and sadness.

In the dark,
He was there.
When there was pain,
And there was grief,
When there was doubt
And no hope.

And from the lost blood,
they drew the strength.
In darkness,
They walked towards each other.

Embracing one another,
They found love.
From death,
They found life,
They found light.

Why?


Why?
What a question!
Why?
Why one feels what one feels?
Why is there  curiosity, longing, desire?
Why do thoughts and fantasies run free, uncontrolled?

Why one stands on firm land, looks down the abyss and takes a leap?
Why one doesn't?
Why one just turns around, walks away, never looking back?
Except, perhaps, when no one is looking,
When all are asleep.

Why one walks in circles,
Always coming back to that same point?
Why one gives all up ,
Remains inert,
Starving?

Why?
What a question!
Answer me or I'll devour you!
And devoured many were.
Never truly knowing,
Never really understanding why.





Friday, October 25, 2013

Longing for shallowness

You feel you must let life run its course,
Yet you don't.
You wish for things out of your reach,
You want it all, 
Certain of its impossibility.

You step away,
You draw a distance,
You make promises to yourself,
And you immediately break them. 

You know beneath beauty,
There is darkness,
There is pain.
You recognize the vanity,
The shallowness. 

Still,
You long for it,
You insist.
Still,
You look for it,
You reach out.

You hurt,
You are consumed.
A lump in the throat.
A tightening of the heart.

No more, no more,
You silently scream.
Until you find yourself,
There,
Again.


http://youtu.be/tc7FhWtA2Jk


Monday, October 21, 2013

No Azul


Entrar no azul
Perceber a densidade,
A temperatura,
A luz que se fragmenta,
Se expande.

Movimentar-se.
Sentir a fluidez,
A Resistência.
 
O impulso.
Ir ao fundo.
Ouvir sons abafados,
Sentir o desejado isolamento,
O silêncio.

Concentrar-se nos movimentos,
Peito, quadris, braços e pernas,
Alongados,
Contraídos.

O ritmo.
A respiração.
O inspirar e expirar,
Constante,
Consciente,
Até que não mais.

O rosto imerso,
A água na boca,
Os olhos abertos.

A cor,
Os azulejos,
As linhas entre os azulejos.
No fundo, pequenos pedacinhos de grama,
Trazidos pelo vento,
Reverberando suavemente,
Os movimentos firmes e compassados.

A ida,
A volta
A ida,
A volta,
Até que não mais.

Só o impulso,
O movimento,
A força,
A plácida resistência do meio.

O rosto que queima.
A respiração,
Sempre,
Constante.
 
O ar,
A busca.
A água,
O retorno,
A paz.



She collected eyes

She collected eyes. They fascinated her since she was little. Her mom used to tell that, still a baby, she tried to touch her eyes with her little fingers. She touched her eyelashes, felt them delicately and, at times, pulled them; which would put an end to the game. Another childhood story she was told preannounced her future interest. She used to remain for minutes looking at people’s faces, blinking when they blinked, moving her eyes to accompany the other’s movement.   

When a child, she would cut eyes from  magazines and glue them in countless notebooks. She was interested in their colors, shapes. As she grew older, other nuances began calling her attention. When she was young she was given a photographic camera. The new tool provided her with different possibilities. She began to focus not only on eyes, but on the way they looked, the expressions of joy, surprise, fear and pain; the reflections of light and the reactions to different stimuli. The powerful lenses, purchased with the savings of her meager wage as a local library employee,  provided a distance adequate to her shyness. 
It was at work that she saw him for the first time. A College professor, he was returning a children´s book. The masculine hand and the little bunny on the cover made her curious. She raised her head, her eyes. She was captured there. His eyes. Eyes of indefinite color. In the shadow they seemed deep as the ocean, but she knew the shade would change with the different lights of the day, the different humors. She knew. With a half smile, he said: “It’s my daughter’s.” She smiled back and only then saw, behind the counter, the chubby little  girl holding his other hand. When returning the book, their hands brushed and she felt a shiver all through her body. He smiled again. "Would he have noticed?"
After that, she saw him every week. Sometimes a children´s book, sometimes a detective novel. They always talked, briefly, the weather, the traffic, the weekend. The chubby little girl sometimes pulled him by the hand, asking him to hurry up, calling for his attention. While she listened to him, she enjoyed diving in those waters. She would go deep, but would not take long. She felt the danger in that deepness. She was afraid. She dreamt of him every night, scraps of the looks he gave her every time they met, the eyes she would feel on her, even from afar, still by the entrance door. Eyes that undressed her while returning children’s books, eyes that caused her body to vibrate.
They continued meeting. The hand, which handed the book quickly in the beginning, now took longer, the eyes acquired a different brightness. She knew. She understood about eyes. By that time, she had forgotten about her camera. Those eyes were all the eyes. Those eyes were the only ones.
One day, he came by himself and waited for her at the end of the workday. They left together and parked by the lake. The sunset brought different hues to his eyes, hues she could only have guessed before. The fixed gaze on her body, the desire, the intense sparkle, the kiss, the hands taking over her body. She let herself drown, let herself be swallowed, then, and time and time again. Sometimes, he would come in the middle of the morning, green as the ocean. She would find an excuse. They would go to the same deserted place. He stared at her and she made herself naked, surrendering to the waves, the ocean, the hands, the movement.
“I’m going away”, he said one day. “I have a lot at stake. My wife begins to suspect.” She listened in silence. “Where was this wife the whole time?”, she asked herself. Of course there was the chubby girl, but today having kids didn’t mean much. “This can’t go on.”, his eyes were dull. She remained in silence, feeling cold:
-          When are you leaving?
-          In the beginning of next month.
-          Would you please take me home?
At home, she cried all night. She did not go back to the libray. After a week trying to reach her, the library supervisor decided to call the police: “She lives by herself, officer. She is very quiet, but she has never missed work like this.” A neighbor from the Lake region provided a tip. He told them he had seen a couple talking inside a car by the lake around two days ago. Since he drove by a few other times and the car was still there, he began to find it suspicious.
They found the car empty, a few feet away the body of a man shot in the back lying on his stomach. Covered by flies, he emanated a putrid smell. When they turned him over, the peculiarity, the passionate índex. Her body was found at the bottom of the lake. She was wearing a long green dress. She had her pockets filled with stones. In almost every aspect, she reminded a romantic maiden, an Ophelia. She carried a curious little bag tied around her wrist. Inside, the eyes, no light, no life. She collected eyes.

O Lado Escuro da Lua

Eu tenho pensamentos horríveis
Eu praguejo
Eu desejo o mal
Eu minto
Eu tenho urgências terríveis

Eu deito languidamente em sonhos de luxuria
Eu lá permaneço
Em verdes, cinzas e castanhas fantasias
Eu vivo o lado escuro da lua
Eu sou o lado escuro da lua

Eu ofego
Não respiro
Eu tomo café
Eu procrastino

Eu tento
Eu me esforço
Eu sinto falta da luz.
Eu vivo o lado escuro da lua.
Eu sou o lado escuro da lua.

The Dark Side of the Moon

I have horrible thoughts,
I curse,
I wish people ill,
I lie,
I feel terrible urges.

I Iay languidly on dreams of lust.
I linger,
In green, gray and brown fantasies.
I live the dark side of the moon.
I am the dark side of the moon.

I gasp,
I cannot breathe.
I drink coffee, 
I procrastinate.

I try,
I strive,
I miss the light,
I live the dark side of the moon.
I am the dark side of the moon.

Into the Blue

Diving into the blue.
Realizing its density,
Temperature.

The fragmenting
and expanding of light.
The movement.
Feeling the fluidity,
The resistance.

The impulse.
Getting to the bottom.
Hearing muffled sounds.
Feeling the desired isolation, the silence.

Focusing on the movements,
Breast, hips, arms and legs,
Alongated,
Contracted.

The rhythm.
The Breathing,
The constant inhaling and exhaling.
Consciously,
Until no more.

The immersed face,
The water in the mouth,
The eyes wide opened.

The color.
The tiles,
The lines between the tiles.

In the bottom, tiny pieces of grass,
Brought by the wind,
Reverberating gently,
The firm and cadenced movements.

The going and coming,
The coming and going,
Until no more.

Just the impulse,
The movement,
The strength.
The placid resistance of the medium.

The burning face.
The breathing,
Always,
Constant.

The air,
The search.
The water,
The return,
Peace. 






Menino Guerrilheiro


Arrumando o pequeno escritório, jogando coisas fora, abrindo espaço para iniciar a rotina de trabalho, encontrou os recortes de jornal: "Faleceu sábado de ataque cardíaco fulminante" dizia um deles. Os outros repetiam a história do ataque cardíaco, mas ela sabia, desde aquela época que essa não era a verdade. Líder estudantil do seu tempo foi  expulso da Universidade por ter opinião. Perseguido na cidade, viu roubarem os seus sonhos e resistiu. Seguiu para a Guerrilha do Araguaia, lá foi preso, torturado. Quando ela era criança, não se falava disso. Já adolescente, com a abertura, quando estudava história, ele era mencionado, junto a alguns outros amigos da família "Ele fez parte da Guerrilha. Foi preso, torturado. Até hoje passa por uns períodos de depressão." Nada mais. Toda uma geração traumatizada, não conseguiam muito falar do assunto. Tudo muito recente, talvez. O medo ainda uma sombra, logo ali, a espreitar. Ela imaginava um homem adulto, barbado, preso por uns dias, sofrendo duras torturas. Sentia por ele.

Nos tempos de faculdade, fazia mais e mais perguntas, mas como as informações vinham sempre a conta gotas e apenas com muita insistência, resolveu ir atrás das histórias por si só. Na leitura de um livro, o choque. Tinha apenas dezessete anos quando fora preso. "Um menino! Uma criança!" E ficara preso por cinco anos, sem julgamento, sem direitos. Ficou ali, imaginando o que seria ser preso aos dezessete, o que seriam cinco anos de isolamento, de tortura... Comparou suas vidas, sua liberdade, suas festinhas, sua luta, sua dor. Era três anos mais novo que ela então.  "Uma criança! Um menino foi torturado por cinco anos no meu país!" Foi então que se deu conta, todos meninos e meninas, todos praticamente crianças... Até hoje, quando lembra disso, o coração aperta, um nó se forma na garganta, uma dificuldade de respirar...

Encontrando o recorte de jornal, repetiu-se o choque da juventude, quarenta anos, um ano mais novo que ela hoje. "Tão jovem! Tanto ainda pela frente!" No jornal, o ataque cardíaco fulminante. Entre amigos mais próximos e família, recorda-se, corria outra história. Morando sozinho, andava deprimido, Era Collor, sequestro de poupança, ameaça de hiperinflação, corrupção... No fim de semana, sozinho, trancara as portas, vedara toda a cozinha e ligara o gás. Deixou filhos, deixou amigos que o admiravam, deixou o mundo que ambicionava mudar. Desistiu! E quem poderia realmente culpá-lo. O menino de dezessete anos enfrentou e sobreviveu ao inimaginável. O menino de dezessete anos fez o que pôde, por mais de vinte anos, depois de ter seu corpo e alma humilhados, eletrocutados, espancados, destroçados. O homem de quarenta anos deve ter lembrado daquele menino, deve ter pensado: "Uma criança! Como se pode tirar tudo de uma criança?" Deitou-se, esperou e partiu.

Lembrou ter questionado a notícia: "Por que não falam a verdade?" “É preciso poupar os filhos!", diziam. Em nenhum jornal apareceu a história como ela ouvira. Nunca se discutiu o peso insuportável daquela destruição. E ela nunca entendeu! Hoje, vê aí, instaurada, a Comissão da Verdade, ainda lutando para que se abram os olhos dos filhos, para que acordem todos os filhos, para que não se repitam mais os extermínios dos direitos, dos sonhos. 

 

Thursday, October 10, 2013

De meninas e piscinas

Quando tinha uns sete anos, a família se mudou para uma casa com piscina. Ponderaram que seria importante que aprendesse a nadar. Ouviam, vez por outra, tristes histórias de crianças que se afogavam nos quintais de suas próprias casas e se perguntavam como sobreviver a uma tragédia dessas. Como na tradicional divisão de tarefas, a mãe se comprometeu a levá-la e buscá-la nas aulas. Não que fosse uma dona de casa profissional, exclusivamente dedicada aos duros afazeres do lar e da família. Na verdade, era uma profissional respeitada, mas como mulher de sua geração, acumulava responsabilidades e ainda lhe cabiam os malabarismos dos cuidados da casa, dos filhos e da carreira. Conseguiu um horário no fim da tarde. Saía do trabalho um pouco mais cedo, corria em casa, buscava a menina e levava para as aulas.
 
Não pensem hoje, as mães que levam seus bebês e crianças às aulas de natação, que havia alguma abordagem especial nas aulas ou equipamentos específicos, como as plataformas que permitem às crianças pequenas que apoiem seus pézinhos sem se preocuparem com a profundidade da piscina. As aulas consistiam basicamente em pernadas e braçadas em uma piscina de vinte e cinco metros com o auxílio, ocasional, de uma prancha.
 
Passado um mês de aulas, a menina dava seus mergulhinhos e estava se desenvolvendo, não como as colegas propensas ao atletismo, mas caminhava, ou melhor nadava, em seu próprio ritmo.  A professora resolveu então que já era tempo de ousar um pouco, de criar um desafio. Talvez ela própria já estivesse entediada de ver aquelas crianças fazendo as mesmas coisas. Assim, sem pranchas e sem apoio, a turma seguiu para a travessia da piscina, o esforço das braçadas e pernadas, desconjuntadas ainda,  resultou na sensação de litros e litros de água engolida e a decisão: "Não volto nunca mais!"
 
Uma decisão assim aos sete anos, embora poderosa em sua intenção, pode enfrentar muitos obstáculos. A mãe interpretou, com certa sabedoria, que se a menina não enfrentasse ali seu medo, realmente corria o risco de passar a vida com medo da água. Ouviu a reclamação da filha, o choro e a declaração de que "entrou água por todos os buracos" e que não adiantava que não ia passar por aquilo de novo. 
 
No dia da aula, esclareceu que não tinha jeito, falaria com a professora, pediria que tivesse mais cuidado, mas a menina tinha que ir. A roupa foi trocada meio a contragosto, mas na hora de  sair, a garota apelou para uma medida desesperada. Já praticamente arrastada até o carro, atracou-se à maçaneta do carro do pai, que estava em viagem de trabalho. A lembrança infantil daquele momento é de ter cada dedinho retirado da garra que formou atracando-se à porta, um por um. Carregada aos berros pela mãe, seguiram por vinte longos minutos pelas ruas tranquilas da Brasília da época, do Lago Norte até a 612 sul. A mãe deve ter ouvido choros e súplicas o caminho inteiro.
 
Vencida pelo cansaço, observou a conversa da mãe com a professora, resignou-se e entrou na piscina. Seis meses depois, resolveu que realmente não queria mais aquelas aulas, mas já não corria o risco de afogar-se e os pais que, modernos para a época, davam certa liberdade de decisão aos filhos, acataram a decisão.
 
Anos depois, um acidente de carro a deixou com  o braço imobilizado por meses e a moça, sedentária desde a infeliz experiência na água e décadas de frustrações em aulas de educação física, em que ou se era excelente ou não se era ninguém, repensou. Repensou o corpo, o movimento, a importância de honrar o corpo que pode se mexer e tudo o que ele, dentro de seus próprios limites, pode alcançar. Precisava de uma atividade que ajudasse a recuperar a força e o movimento do braço sem que sofresse muito impacto. Voltou à piscina.
 
Mais de vinte anos haviam se passado. Já não corria o risco de afogar-se, a água atingia a cintura. Na aula da Universidade, os alunos foram separados em diferentes turmas. A sua, turma A - de afogados. Divertiam-se todos com a possibilidade de juntos enfrentarem o medo e a limitação que em outros eventos sociais poderia causar-hes vergonha. Ali, juntos, os afogados se apóiavam e comemoravam as pequenas grandes conquistas, os mergulhos sem tampar o nariz, as primeiras braçadas e pernadas, a travessia da piscina, mesmo que na largura e não no comprimento. Nesse grupo solidário e motivado, na piscina de água fria, fez as pazes com a água e nunca mais a deixou.
 
Hoje, se pergunta o que diria sua mãe, sua amiga, já falecida, se soubesse que participou de uma competição de natação. O que acharia, se soubesse que enfrentando o medo, saltou do bloco na borda e chegou ao outro lado da piscina olímpica. Quase morta, é verdade, mas chegou. Aprendeu a saltar do bloco uma semana antes, também é verdade, mas foi! Provavelmente, se divertiria e relembraria o longo trajeto que fizera anos atrás ouvindo o choro e as reclamações. 
 
Teria que contar que quase desistiu de ir e que ao comentar que mal tinha aprendido a saltar e que nem sabia porque inventavam de colocá-la nessas coisas, a filha de sete anos, nadadora desde bebê, perguntou porque só estava aprendendo isso agora. Explicou o episódio da infância e que quando criança desistia muito rápido, ao que a menina retrucou: "Ah, por isso você quer desistir agora, né?". Vestiu o maiô, o roupão, pegou a toalha e foi! Nadou pela criança que engoliu água na piscina, pela mãe que ouviu o choro no caminho  e pela filha que não desiste tão fácil e ainda tem tanto para ver e aprender.
 

Wednesday, October 2, 2013

The Turn


Once she had fallen on that turn. She was riding a moped. The boys from school had somehow messed it up. They had removed the pipe and the gas just didn’t pass through. She tried to turn the bike on a couple times, aware that there had been a sort of sabotage. Very irritated, she kept an exterior calmness, while the boy approached and showed her in five seconds what the problem was. She thanked him and left. “What a stupid way to flirt!” She proceeded with her afternoon ride, good school times, the wind on her face, the postponed obligations, dinner waiting on the table, all the time in the world… The moped failed a couple times, she had to break it and speed it up at the same time to keep it going. In one of these attempts, on the curve, she skidded! The moped slipped to one side while she slid to the other in a 45-degree angle. She stood up, covered by the red dirt of Brasília, bruised, hurt. She picked up the moped and carried it, limping, to the last house of the street.

She was not a girl anymore. She had her own responsibilities, work, bills, problems… She went down the slope that led to the turn, driving not the moped anymore, but the car purchased in her first job. A silent afternoon, she drove calmly, the only car on the road. She was approaching the turn when she saw them, fallen, three bodies, a man, a woman and a girl, all black. The abundant hair, dark and curly, speckled with the red dirt, the woman’s and the girl’s white cotton dresses with little red flowers on them. The man wore khaki pants, rolled up on the calves like a fisherman’s and a white shirt also rolled up until his elbows. They were simple raw leather sandals. Slowly, she drove past them, there, fallen, inert. There was no blood, but the immobility didn’t leave any room to wonder. She continued driving, urging to get home. She passed the turn and entered the little road immediately to its left.

She realized the strange silence, the lack of movement. As she drove down the road, the strangeness grew. Mute, everything was mute, not even the singing birds could be heard. The still air, sultry, increased the light and the afternoon heat. All windows in each of the white houses were open. Ivory curtains flew through them. She continued driving, her breath suspended. She finally arrived at the house at the end of the street. There, the curtains also flew through the windows moved by an inexistent wind. She turned right to get the car in the garage. The gate was already open. She saw, again, on the driveway, the same light dresses, the same khaki pants, the same leather sandals, the same black bodies, fallen, together, in the same position.


Monday, September 30, 2013

From one point of a star to another

Kafka's process in my mind,
The writing of the stupid report,
The counterproductive proof of production.

The businessman in the fourth little planet,
The pseudo intelectual bureaucrat stamping his stamp,
Will he sit on top of the pile of paper he demanded?
Will he smile his petty smirk contemplating his migger power?

Me,
Late at night,
Duty performed, quite unwillingly,
I Search for light,
The moon,
The dream,
Skipping from one point of a star to another.



De ponta em ponta de estrela

O Processo de Kafka na cabeça,
A escrita do relatório imbecil,
A contraproducente prova da produção.

O homem de negócios em seu quarto planeta
O burocrata intelectualóide batendo o carimbo,
Sentará nas pilhas de papéis?
Sorrirá a tacanha alegria do seu mesquinho poder?

Eu,
Madrugada,
Cumprido o dever a contragosto,
Busco a luz,
A lua,
O sonho,
Saltando de ponta em ponta de estrela.




Monday, September 23, 2013

A Curva

Uma vez caíra naquela curva. Andava de mobilete. Os garotos da escola mexeram nela, tiraram o cachimbo e o combustível não passava. Tentou ligar a motinho umas tantas vezes, consciente de ter havido algum tipo de sabotagem. Muito irritada, manteve a calma, quando o garoto se aproximou para ajudar e apontou, em cinco segundos, o defeito. Agradeceu para se ver livre e foi embora. "Paquera mais idiota!" Continuou o passeio vespertino, bons tempos de colégio, o vento no rosto, as obrigações adiadas, o jantar na mesa, todo o tempo do mundo... A mobilete, falhando de vez em quando, tinha que frear e manter a aceleração ao mesmo tempo. Numa dessas, na curva, derrapou! Mobilete deslizou para um lado e ela para o outro em um eixo de 45 graus. Levantou-se, suja da terra vermelha de Brasília, ralada, machucada, pegou a mobilete e conduziu-a andando, capengando, até a última casa da rua.

Já não era mais uma menina, tinha suas responsabilidades, trabalho, contas, problemas... Desceu a longa ladeira que levava à curva. Dirigia, não mais a mobilete, mas o carro conquistado no primeiro emprego. Uma tarde silenciosa, seguia tranquilamente, o único carro na rua.  O calor a incomodava, os vidros totalmente abertos, a tarde iluminada, nenhum movimento nas árvores que margeavam a pista. Iniciou a curva e foi quando viu, caídos, três corpos, um homem, uma mulher e uma menina, todos negros. Os cabelos fartos, escuros e crespos salpicados de barro. As roupas, claras e simples,  sujas com a terra vermelha: os vestidos da mulher e da menina, branco algodão estampado de pequenas florezinhas vermelhas; o homem, calças caqui, arregaçadas como as de um pescador, a camisa branca, dobradas as mangas, . Calçavam alpargatas de couro. Passou devagar por eles, ali caídos, inertes.Não havia sangue, mas a imobilidade dispensava maiores reflexões. Em uma dessas reações que não se explica, continuou dirigindo. Passou da curva, entrou na ruazinha imediatamente à esquerda.

Deu-se conta do estranho silêncio, da falta de movimento. Conforme descia a rua, maior a estranheza, mudo, tudo mudo, nem mesmo o canto dos pássaros.  O ar parado, abafado, aumentava a luz e o calor. Todas as janelas de cada uma das brancas casas estavam abertas. Alvas cortinas esvoaçavam através delas. Continuou descendo, a respiração suspensa. Chegou finalmente à casa do fim da rua. Ali também,  as cortinas  esvoaçavam no balanço do ausente vento. Virou à direita para entrar na garagem, o portão já estava aberto. Na pequena rampa de entrada, os três mesmos corpos negros, os mesmos leves vestidos sujos, as mesmas calças caquis, as mesmas alpargatas. Lá estavam, caídos, juntos,  na mesma posição.

Friday, September 13, 2013

On Beauty and Falling Leaves

She got in the cab. A large gray bearded driver asked for the destination. She gave him the address. A small University town. There was no need for detailed directions. They started the ride. The whole way he complained. About the traffic: “Should have taken the other way! Too many students in this area!” “Oh, yeah!” she laughed to herself. “So much traffic it might take us five extra minutes!”  "What is she doing? Some people should not be allowed to drive! Get out of the way, lady!”

She looked through the window.  Shades of yellow, orange, ocher, red. It was just as if some magical creature had come into the night and painted all the trees in the most beautiful and unexpected hues. From where she came from, there was no Fall. At least, not like this. Leaves would dry up and fall from the trees occasionaly. Each species at their own time, throughout the year. They would also bloom at their own discretion, not all at once. There was no collective spectacle. The driver continued groaning. She tried to call his attention to the beauty outside the window. He pretended not to hear her. “How can someone not see this? How can a person choose such grumpiness over  beauty?”

She refused to listen to him anymore, his voice began to sound like a distant mumble while she lost herself in the colors of the trees, listening only to the sound of the tires crushing the leaves that had already fallen on the road. She paid close attention to each single leaf and all of them together at once. In a few weeks all of these would probably be gone. She had no idea when she’d be seeing such a scenary again in her life.

The cab parked in the driveway. She payed the man, even tipped him. He gave her his phone number in a piece of paper. "Call me, if you need a ride again." She took the piece of paper and wished him a good evening. She walked towards her front door, large decided steps. She held her head up high, the coolness of the wind on her face. While walking, she felt her hand turning the piece of paper into a very tiny ball. Inside, she laid her books on the kitchen counter, opened the fridge, picked up a bottle of wine, a glass from the cabinet and, Let her body slowly sink in the rented armchair strategically positioned by the window.

Photo credits: Bruno Sandes - 2013

Monday, September 9, 2013

Um dia

O pão.
A Rotina.
O choro matinal.
O café.

A filha.
O dever.
A conquista.
O sorriso que alivia.

A pressa.
A rotina.
A pressão.
A panela.

Os livros.
O peso.
O atraso.
O trânsito

O stress.
O desgaste.
O pesar.
O onde está?

O carinho.
O abraço.
O sorriso.
O caminho.

O olhar.
O afeto.
O redescobrir.
O estar aí.


Monday, September 2, 2013

Para Herbert Vianna

Quero ser Herbert Vianna,
seguir chamando,
conhecer seus passos,
ter seu exército invadindo meu país,
ver você e ver na escuridão,
pagar as contas desse amor pagão.

Quero ser Herbert Vianna,
me virar do avesso,
me perder entre as estrelas,
jogar tanta coisa fora,
ter a lua,
te dar a lua.

Quero ser Herbert Vianna,
saber que meu inferno é o céu,
que a vida nem sempre é boa,
que tenho um cagaço de descer ladeira abaixo,
que eu tô mesmo é na lanterna dos afogados.
Quero te odiar uns dias,
quero querer te matar,

Quero ser Herbert Vianna,
ver a luz no túnel dos desesperados,
derramar lágrimas por ninguém,
jogar uma vaca do décimo andar,
andar num mach cinco cor de prata
em alta velocidade.

Quero ser Herbert Vianna,
saber que a dor pode mostrar algo de bom
que vai ser diferente,
que vai valer então.
Às cinco ver aquela estrelinha
e encontrar a palavra certa
que faça o mundo andar.



http://www.youtube.com/watch?v=NQznqQAYwBE

Tuesday, August 27, 2013

A thousand times

She's gonna call you
a thousand times
She's gonna beg you
a thousand times
You will ignore her
a thousand times
She'll cry and mourn
a thousand times

She's gonna hate you
a thousand times
She's gonna kill you
a thousand times
She will forget you
once and for all
And you'll regret it
a thousand times

Monday, August 12, 2013

The story that wasn't


She wrote for the first time in years, not in her language, but in the language of longing and missing and sighing. She wrote. She told a story. She lingered on to the story for days.  She told no one about it, read it to no one, except herself. What is a story no one can read? What is an unwanted story? A story that should never happen, should never be?

It haunted her. She did not read it anymore. It wasn`t necessary. It did not need further polishing. It was not going to be read anyway. She thought of it all the time. Was it a good story? Would it have become a good story had it been given a chance? Would it have become a tragedy? A Romeo and Juliet with deeper, however microcosmic, consequences?  Was she implying grandeur to something meaningless? A story about common things, common people, common mistakes….

How many stories have ever been written like this, she wondered in her sleepless hours. How many stories have ever been thrown away without the chance of being read, appreciated, depreciated. Where would all the stories untold go? All the words said and taken back, all the chances and  possibilities removed from ever being.

“I wrote something I’d like to read to you”, she saw herself saying. She imagined her crude words, possible mistakes, her own interpretations of past events, her deepest feelings and fears scrutinized by the third party somewhat involved. She turned on the computer and looked at the file’s icon floating on the desktop area. Her hand rested on the mouse for a few minutes, her eyes on the little Word icon. She dragged it decidedly and threw it in the trash bin.