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Mahgrebi

I'm walking alone in the desert
I've walked now for miles 
In silence
The grains of sand blown by the wind 
Leave little cuts on my burnt face

I am alone  I cover my head with a dark magenta shawl  the color of wine or blood 
I walk  My feet sink in the sand My legs feel weak and wobbly  The way they do after a tough swimming practice  I'm a swimmer  But there's no water here
I cover my face with the shawl  Leaving only my eyes free  Being free, they look around  Towards a vastness of nothing  
I keep walking  I am now the mahgrebi everyone says I could be I search 
There's something I need I know I need it  A drink A drug  A magic potion
It's why I keep walking  I gotta have it  I couldn't find it where I came from So I wonder in the desert  but I find no one 
I see a tent in the far distance  to the north of me I recover some strength  I march on the tent's direction but it's never there  where it's supposed to be 
Alone and weary  I lay down on the sand I close my eyes I let myself b…
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Merit

In a world of meritocracy, you receive an inheritance. Not a big fortune, but some money to help pay your debts, help a relative who fell ill. You are grateful, but you did not merit this. You never did anything for it. You think about how many will never be covered by a rain of golden coins fallen from the sky, while some swim in pools of money, modern times uncle Scrooges destilating hatred towards any step directed to the sharing of wealth in the world and holding on to the belief that they earned what they have. It is such the world. 
Your daughter helped a friend cheat at a school test and got caught.  She was punished with a big F on her exam. She cries and explains to you she was only trying to help a desperate friend. Deep inside you understand her feelings,  but you agree she has to learn that helping a dishonest deed is the same as doing it. Some other parents heard of the situation. They talk to you and seem shocked by the school's decision to punish the accomplice and n…

Mulher Trófeu

Gripada, entupida, o nariz ressecado ardia ao tentar respirar, ferido.  Lenço de papel por todo lado. Aquelas bolinhas amassadas. Tinha passado o dia de pijama, um robe de flanela por cima. Arrastava o cinto do robe aberto pelo chão. O celular já tinha tocado umas três vezes. Não quis atender. Primeiro, porque não tinha voz. Depois, porque não tinha o que dizer. E era ele, ela sabia. E ela tinha certeza que ia ouvir um sermão. 
Lembrava vagamente da besteira que tinha feito. Não queria saber os detalhes. Ele sabia que ela não queria ter ido. Festa de rico chato. Uma pista de dança enorme e uns gatos pingados dançando os mesmos movimentos ensaiados, com muito cuidado para não assanhar a chapinha, nem derreter o gel. "Gente errada com a conta corrente certa!" A turma era péssima, mas a bebida era farta. "Acho que nem eles se aguentam se não encherem a cara." Provou um drink azul. Rafael conversava com um cara de sorriso tão simétrico que era impossível que fosse real.…

Maio, 2017 - Fim de tarde em Brasília

Um burburinho de barzinho no fim de tarde. Tudo parece igual. Amigos se encontram no Café, grupos ocupam as mesas maiores. Adoram sentar-se ao lado de quem lê um livro, de quem está só. Desconfiam dessa solidão e afrontam-na.Alguém solta uma gargalhada alta.Tudo normal, tudo como antes.
A música contorna as conversas e risadas: “Cai o rei de espadas, cai o rei de ouro, cai o rei de paus, cai não fica nada…” Nada é, na verdade, como antes, como o dia de ontem. Hoje, o ar que se respira é grosso, agressivo e sufocante. Nada, abaixo da epiderme do mundo está igual. A brisa leve não engana. Refresca o corpo, mas a alma treme.
Agora, toca Roda-Viva. “Como pode? Ontem mesmo era ano 2000.” Quando o golpe se deu e as ideias estapafúrdias começaram a surgir com projetos que tinham o nome de músicas da minha infância, regravações dos anos 80 começaram a entupir os programas de rádio. Hoje, Elis e Chico ressurgem nesse Café, fazendo o sentido que já não faziam há tantos anos. Apertam o meu pe…

Olhos de rio

Não sabia o que fazer, não sabia o que esperarContava as estrelas,  até o barco chegar,  deixava o rio passar Sozinho, à margem Ohos de rio que segue pro mar
E leva tudo,  seguindo sempre sem medo,  Olhos de rio, Correnteza que traga  tudo, sempre sempre e repetidas vezes, tudo e repetidas vezes
Caminha  mais,  um pouco mais,  um pouco além Segue a margem Na segunda curva,  olha pra trás 
Se vê, longe, pequeno Tanto tempo, tanta dúvida, tanto caminhar,  tanto,  sem ir  a nenhum lugar Vê  os sonhos,  Deixou escapar Segue adiante,  olhos de rio transbordantes, misturando outras águas
Caminha, muda,transmuta  Olhos de rio, finalmente mar

Plano pra ficar malhado

Ele tinha um plano
Estava muito animado
Ia ficar bombado Tudo já determinado Um roteiro organizado  Para ser super sarado
Chegou na academia
O plano fora cancelado
Ele então ficou bolado Mas quando voltou pra casa  Viu os halteres quebrados Os suplementos trancados  Com dois cadeados pado Como ficou chateado 
A mãe sorria na porta E ele a olhou magoado  Não queria o filho malhado  fortão, todo marombado  Suspirou, conformado  Seu plano desmantelado
Ela, tomou-o pela mão Abrindo lá na cozinha uma panela de barreado
Cozinheira de mão cheia
Dessas de forno e fogão Ele abriu um sorrisão

Repetiu a farinha e ficou mais animado Esqueceu aquele plano de ficar todo malhado  A comida da mamãe era assunto complicado  pra deixar assim de lado

Recuerdos, cambios y rumbos

Una amiga me dijo que en los años setenta, hubo una invasión de ratones en Brasilia y que ellos salían por el desague del bidé y entraban en los apartamientos de Asa Norte. Ella me pregunta si no me acuerdo. No me acuerdo. “En serio? No te acuerdas?” No me acuerdo.
No me acuerdo de la invasión, no me acuerdo de comentarios, noticias. Respondo que era muy pequeña, pero ella es más joven que yo. Rio sin gracia, sin mostrar los dientes: “Realmente no me acuerdo!” De lo que me acuerdo es siempre haber tenido miedo de ratones, más que de cucarachas. Y de siempre soñar con ellos en tiempos de angustia, preocupación. Una vez vi un video de un asado en la casa de mis padres en que intento alertar a mi madre del paso de un ratón y ella me ignora. Me pareció que no quería llamar la atención de los invitados para la presencia del animal asqueroso que corría en la orilla de la cerca. No quería interrumpir su canto y su soleado día de domingo y, por eso, ignoró completamente lo que dijo la niña inc…